8.4.07

Mínimos Óbvios

- Eu tenho medo de me comprometer.
- Medo.
- De me comprometer.
- A internet matou o comprometimento.
- Como?
- A internet.
- A internet não fuma, não bebe.
- Ela assassinou o compromisso. Você não acha?
- Talvez.
- Você casa, vamos supor que você case. Você paga o condomínio. Tem um cachorro.
- O meu morreu.
- Sim, mas você brinca de playmobil: você trabalha, pagas as contas e sua esposa é clássica. Cozinha, limpa, passa e não deixa o caos dominar. Clássica.
- Como os filmes do Godard.
- Fellini. Fellini é clássico.
- Sim.
- Então você enche o saco da vida de brinquedo. Você enche a porra do saco. Mas não pode jogar tudo para o alto.
- Não pode?
- Não deve. Porque demorou muito para levantar o muro. Deu trabalho demais erguer para jogar tudo fora só porque encheu o saco.
- Encher o saco é um luxo menor?
- Sim.
- E o que você faz?
- Eu? Eu não sou casado.
- Estamos falando hipoteticamente, não? E o que você faz?
- Você entra na internet.
- Dentro dela?
- Então se a tua esposa é frígida ou tímida ou condena o sexo, você compra uma câmera e se mostra para quem quiser ver ou quem quiser comprar a tua fantasia. Você espera ela ir dormir após a novela e se acaba na punheta com homem, mulher, velho, adolescente, criança ou tarados. Você escolhe. Depois você desliga a máquina e volta ao real para dormir. Se ela te perguntar, você diz que estava trabalhando. E dorme.
- Eu durmo muito pouco.
- Eu também. No dia seguinte, você vai ao supermercado sem qualquer sombra de culpa.
- Eu prefiro o sol.
- E quando surgir a oportunidade, é só você ligar o computador.
- Sem culpas?... ... ...

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